Maria



Quero morrer por dentro, renascer manto
em neblina sutil. Na amorosa manhã, andorinhas
na janela, sentem minha presença
No quarto enevoado de alfazema

defumada, vida. 

Trago mentolado, café amargo, o chá
Esfriou, Maria, e as flores morreram
E me dizes: nunca é tarde, e lhe digo:
Quero saber para onde correm as águas

Onde desaguam as dores, onde
Desabam as alturas e horizontes, onde
Termina o limite do ser, onde
Venho a ser, se é que venho, Maria, onde

Tanta beleza se entrega, de tanto amor
Que se faz vida, inteligência conduzida...
Então somos mestres, Maria, construtores,
Onde, Maria, deposito toda tua sutileza?

E me dizes para que eu espere, onde
O silêncio é música, onde
A escuridão é luz, onde
Morrer é renascer eternidade. 

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