terça-feira, 11 de setembro de 2018

memória-luz

me permita que fale de ti como as cores dos céus reluzem em nossos sonhos. permita que te declame a todo amanhecer um verso de gratidão. meu ser é a espera, a entrega, e nos dias em que vens pousar tua música no meu céu, eu sou um profundo pedido para que fiques. pedi ao silêncio para lembrar teu sorriso. pedi para nunca mais em solidão pedir. e isso tudo é por encontrar a vida em teu olhar. pedi ao silêncio teu abraço em meu coração.

pedi para lembrar teu sorriso. pedi para nunca mais em solidão pedir. pedi à noite que me levasse em teus braços, deixar nossos sonhos selados no amor dos olhos vibrantes das ruas. pedi às estrelas tua voz me guiar. pedi ao silêncio a solidão.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Estás vivo, onde quer que estejas

A coragem contra o medo, pensa atônito, o transeunte do silêncio.
As monções e a náusea, as mãos trêmulas derrubam as âncoras dos instantes
Incertos, a serem lapidados entre temores e essências.

A respiração, o domínio do vazio... inspiração aos poetas do abismo.
Há um por do sol real no horizonte, e há a música dos ventos que afagam
As torturas interiores que inventamos pelos milênios da escuridão da alma.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Desejávamos essa liberdade de planar sobre os oceanos, sermos pássaros e mestres do ar. Desejávamos a sede, a placenta do útero dos tempos. Nossas almas trocaram olhares fora dessa dimensão. Quando atravessamos os espelhos do infinito, quando viemos dar passos para cruzar o caminho um do outro. Talvez nossa memória não alcance aquilo que nossa alma nos mostra através do silêncio. Talvez nosso silêncio muitas vezes não nos mostre que esse caminho sempre fora eternidade. Nem sempre o silêncio será fora do tempo. Não sei quanto tempo o universo nos trouxe para sermos uma só alma. Caminhamos juntos no ritmo de uma música que é de todos. Mas já dançamos ao mesmo compasso. Assim desejamos, quando éramos apenas luz. Os olhares nunca escondem em tempo algum que centelha foram sempre.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Jardins do Tempo

 Verso intraquilo, que vem calar toda a noite. Que me desperta em assombro, com o sobre-humano desperto que há em tudo. A loucura é uma Rosa oculta no universo, de beleza que não se vê, de matéria que não se sente... Intelectos em transe racional, muito belos, por vezes ocupam-se ao mentir, como inventores fantásticos, fanáticos, quando a beleza real do fino tecido enérgico da verdade não é sensível aos corações e às retinas cansadas. A mentira atravessa eras como um ornado verso que mata a si próprio em supérfluo encanto estético. Ao pensar ser apenas suposição perante o Todo, há desses feitiços hipnotizantes aos espíritos demasiado racionalistas.  Nascemos em empacotados moldes, atravessados pelo convencional não transgredido, por olhares cansados das infelicidades do silêncio cômodo. A humanidade adormeceu perplexa ao alvorecer. E ainda está na simplicidade da essência de uma palavra toda a força oculta da criação. E as palavras seguem, a nosso frágil domínio egóico, erguendo culturas vazias pelas planícies verdes do tempo. É um silêncio que repousa distante, no escárnio do presente, da natureza manifesta incapaz de ser compreendida e sentida, nem mesmo que sejam brutalmente mortos os seus filhos das matas, que a priori, todos nós somos; da mulher que deve calar, da escravidão adaptada e contemporânea, de todas as separações culturalmente impostas e alimentadas por um tal de silêncio. Nascimento, sofrimento e cativeiro. A vontade de Deus é um amor diferente. É uma cultura diferente. Verso intraquilo, parece vir dizer-me que as palavras nunca devem ser usadas para a morte, para o ferir. Que o silêncio também é ódio, é retrocesso. Que as ideias e desejos são também forças vivas que colorem o ar através de um silêncio que se deixe sussurrar pela alma.
  Rosa conversa comigo, a vejo entre nebulosas, apenas uma voz em códigos sonoros, por vezes cânticos. Seu vestido ornado de olhos e luz. Dourada dama celeste, diz-me ser engraçada vossa fraqueza humana para com o dual, que se separam todos como crianças tolas e teimosas. Digo-te Rosa, que minha voz há de ser para sempre canal que atravessa o dualismo codificado em linguagem, que a tudo transcende. Como é conviver, coexistir inteiro com a multidão aflita de si? Entre estrelas, por dentro, um mar de essências verte, e não mais é sem sentido a simples analogia sensível de todas as coisas. Minha face é espelho manifesto ao discernir, sem exercício de exposição supérflua.
  Deus queira, Oxalá, Rosa,  que os dias sejam sempre assim com as palavras despertas. Quero sempre levar a leveza dos ventos, assim, transportar nas palavras a vivência sutil com o não dito, com o que ainda há de segredo em tudo o que sempre é dito. Rosa sorri, do infinito, e me aponta dizendo que o caminho da intuição têm dessas nuances.
   Treva sobre treva, é a escuridão da ausência de profundezas ao viver. Todas as palavras são chamados sutis, tradutoras do incognocível existir que tenta, em exercício desinteressado de amor simplesmente girar a órbita de seus ciclos ocultos para estarem sempre em praias onde se afogam e se convertem em areia e sal.
  Recordo-me, então, Rosa,  de um coração que deixei chorar, de uma solidão que alimentei no tempo, e que o tempo me retornou apenas mais da mesma solidão. Dos dias tomados pelo ego, até aceitar de todo coração desistir de vencer. Ninguém assim me derrotará, pois desisti do interesse de ser apenas um vencedor. Sou poeta, assim como toda alma é. Cada palavra, cada suspiro, têm sua beleza trazidas em si mesmas por essência, haja um olhar empoderado de humildade para realmente sentir através da luz que o chegar à consciência.  A loucura e a lucidez se fundem, no fundo do mar dos mundos. Meus passos são limites, contagens provisórias, caminhos simbólicos. O útero de minhas palavras é enérgica ponte, portal de essência, entidade que brota à sensitividade de meu ser. Pulsar que emerge, forma viva que expande: na madrugada, as flores que abrem à luz do luar. Alquimias diversas, ocultas, visíveis: encantos e perfumes. Raio solar, fogo celeste. Brotam todas, limitadas à mente, à língua, à percepção. Existem plenas, por detrás dessas sombras, maravilhosas almas vivas da existência profunda, onde todos os sopros são adeuses, todos os sorrisos já memórias feitas. Todos já refletem o tudo que desperta em verdade. Todos despertam para as águas. Todos vão banhar-se noutro tempo, nos sonhos plantados de versos intraquilos, ocultos nas terras, nas pedras, e nas flores dos jardins do tempo.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015




Louca menina, já não mais sentia 
Nem o chão, nem o gosto amargo do dia. 
Dizia saber das flores o seu motivo 
Dançando à noite em voraz contento.
Louca menina, no silêncio ouvia 
Estrelas vivas em amável verdade.  
Vozes cantando, sublimando a dor 
Em sons encantados no céu estrelado.
Louca menina, foi nadar na noite 
Banhar à Lua a solidão avessa.  
Na nebulosa densa, pairou andante 
E seu brilho frio fez dela uma estrela.